sábado, 24 de outubro de 2009

Clube Do Filme

"E então, simplesmente, ele partiu. Pensei : 'Bom, ele já tem 19 anos, é assim que funciona.' Pelo menos ele sabe que Minhael Curtiz filmou dois finais diferentes para Casablanca, para o caso de o final triste não funcionar. Isso provavelmente vai ajudá-lo, no mundo lá fora. Ninguém vai poder dizer que deixei meu filho partir indefeso."

David Gilmour ~ O Clube Do Filme


sábado, 16 de maio de 2009

Never Forget.~*

"Gather all ye rose buds while you may
Old time is still a-flying
And the same flower that smiles today
Tomorrow will be dying."

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Para o nada. Para ninguém.

          Sinto que falhei. Por mais que minhas ações não demonstrem, nem pra mim mesma, sinto que falhei. Com tudo, com todos. Com o mundo. Comigo. De todos os erros que já cometi, que poderia ter cometido ou que talvez cometerei um dia, não acho que me senti, me sentiria ou me sentirei assim. Uma vontade constante de me liquefazer, virar uma poça insignificante de fardos passados e sonhos desfeitos parada no meio de um cômodo vazio, escuro e silencioso.
          Me acostumei com pouco. Comecei a aceitar a me contentar com pouco. Minhas exigências foram sumindo. Quando percebi que concordava com tudo sem pensar realmente no que estava concordando, quando tudo se tornou chato e fácil, quando eu não precisei mais me esforçar para cumprir minhas exigências, notei que a beira do precipício era apenas a beira do precipício. Quando tentei abrir os olhos para a vida de novo, estava no fundo do mar, lutando por ar, os pulmões se enchendo d'água, minhas mãos e pés lutando em vão para ver o céu azul mais uma vez. Em vão.
          Não sei como sair daqui. Não sei onde achar forças para nadar à superfície. Não sei como me impôr aos que me prendem ao fundo e deixar claro que não pertenço àquele lugar. Nõ sei o que faço lá também. É tudo tão deseperador, enquanto estou lá, só consigo pensar em como sair. Mas o desespero de fazê-lo não me deixa pensar, raciocinar, achar o caminho que é provavelmente óbvio.
          Sinto que falhei.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Inalcançável.

Fui pega de surpresa, você sabe.

Chovia numa quarta-feira à noite
A rua era vazia e silenciosa
Andei pela escuridão
Para esconder minha expressão nervosa.

Lá estava você de novo
O tremor conhecido me assombrava
Desejando não mais existir
Não sabendo o que estava por vir
Eu andava

Quando você se virou
E nossos olhos se encontraram
Tudo à minha volta se apagou
E todos os meus sentidos me abandonaram

Quando você me tocou
Não desejei mais nada
Além de tudo o que mudou
Naquela noite, aquela madrugada

Quando você me falou
Que tudo poderia ser diferente
Nada mais importou
Naquele momento
E eternamente.~*

sábado, 29 de novembro de 2008

A Man Of Double Deeds

"A man of words, and not of deeds
Is like a garden full of weeds.
And when the weeds begin to grow
Is like a garden full of snow.
And when the snow begins to fall
It's like a bird upon the wall.
And when the bird away does fly
It's like and eagle in the sky.
And when the sky begins to roar
It's like a lion at the door.
And when the door begins to crack
It's like a stick across your back.
And when your back begins to smart
It's a like a penknife in your heart.
And when your heart begins to bleed
You're dead. And dead. And dead indeed."

Sim, eu assisto One Tree Hill e choro com as narrativas.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Aquela Noite

Não era uma noite fria
Mas eu tremia mesmo assim
A brisa de primavera zunia
E eu sentia, era só para mim

A escada cinza parecia comprida
A rua deserta era escura
Desci e o esperei, encolhida
Voltei à vida e subi, loucura

Não era uma noite fria
Mas eu tremia assim mesmo
Esperei-o na janela, agonia
Durante quinze minutos, a esmo

A rua agora era pacata
Uma luz vi passar e morrer
Oh, dúvida, ingrata
Não quero me arrepender

Uma noite fria não era
Mas, mesmo assim, tremia eu
E mesmo depois de uma primavera
Eu pensava no que se perdeu

Eu pensava no que estava por vir
Eu sentia você se aproximar
Eu queria deixar de existir
Mas ouvi a campainha tocar

Eu tremia
Talvez porque fora uma noite fria
Talvez porque nada acontecia
Talvez pela saudade que gritaria

Eu tremia tanto...
Eu queria um novo encanto
Não o velho e usual espanto
E não a mesma dor, no entanto

Eu tremia, então
Pelos meses de solidão
Pelo medo do perdão
Pelo que era novo, indagação.

Eu tremia, ainda
Pela sua aparência, tão linda
Pela noite, já finda
Pelo fim da sua vinda.

Não era uma noite fria
Mas eu tremia mesmo assim
E quando você se foi, amanhecia
E eu sentia, era só para mim.

A manhã não era fria
Mas, ainda, eu tremia
Quieta, deitada, eu quase dormia
Pensava naquela noite, nostalgia.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A Erva Esconde, A Chuva Apaga

"No cemitério do Père-Lachaise, perto da fossa comum, longe do quarteirão elegante dessa cidade de sepulcros, longe de todos aqueles túmulos de fantasia que ostentam em presença da eternidade as vergonhosas modas da morte, em um canto deserto, ao longo de um velho muro, à sombra de um grande teixo por onde sobem trepadeiras, no meio da grama e do musgo, há uma pedra. Essa pedra não está mais isenta que as outras da lepra do tempo, do mofo, dos líquens, e do excremento dos passarinhos. A água a enverdece, o ar a escurece. Não está perto de nenhum caminho, e ninguém gosta de andar por aqueles lados, porque a relva é muito alta e molha depressa os pés. Quando faz um pouco de sol, os lagartos a visitam. Ao redor, tremulam hastes de aveia silvestre. Na primavera, as toutinegras cantam nos ramos da árvore.
A pedra é lisa. Ao talhá-la, não pensaram senão no necessário para a sepultura, não tendo em vista senão fazê-la bastante longa e estreita para cobrir um homem.
Não se vê nome algum.
Porém, há já vários anos, alguém escreveu à lápis estes quatro versos, que se tornaram pouco a pouco ilegíveis sob a chuva e a poeira; talvez hoje já estejam apagados:

Il dort. Quoique le sort fût pour lui bien étrange,
Il vivait. Il mourout quand il n'eut plus son ange,
La chose simplement d'elle même arriva,
Comme la nuit se fait, lorsque le jour sen va.
"

Os miseráveis.~.Victor Hugo

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Dorme. E embora a sorte lhe fosse bem estranha,
Ele vivia. Morreu quando não teve mais seu anjo;
Morreu naturalmente, como a noite que chega
Quando se vai o dia.



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Do não-dito, nada veio. Nada se quebrou.
Do verbalizado, apenas rejeição.
Vale mesmo a pena?


Talvez eu precise apagar.
Talvez eu precise esperar.
Ou apenas dormir.